QUINTA POÉTICA - ESCRITURAS EDITORA (29-04-2010), promovido pela Escrituras Editora e Casa das Rosas (São Paulo, Brasil). Participação dos poetas Hamilton Faria e José Geraldo Neres. Vídeo: Cecília Camargo.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Quinta-poética
QUINTA POÉTICA - ESCRITURAS EDITORA_29-04-2010, promovido pela Escrituras Editora e Casa das Rosas (São Paulo, Brasil). Participação do poeta José Geraldo Neres.
sábado, 5 de junho de 2010
Entre mar e céu: a fluidez libertadora da palavra líquida em Outros Silêncios de José Geraldo Neres, por Ricardo Riso
Reconfigurar os sentidos anestesiados pelo desarranjo da caótica vivência urbana, ampliando as ressonâncias do verbo poético, libertador por excelência, em um inimaginável furor semântico a desbravar novos caminhos para a linguagem, pois como versa o sujeito lírico: “A vida já sabemos sem sentido” (p. 153) diante da efemeridade de uma época na qual temos os “heróis com prazo de validade” (p. 105).
Quando os sentidos da palavra parecem desgastados, dilacerados pelas incongruências da contemporaneidade, caberia aos poetas ressignificá-los? Em seu livro “Outros Silêncios” (Escrituras, 2009), José Geraldo Neres cumpre com louvor essa missão em uma depurada escrita, posto que “somos a tentativa de decifrar símbolos, símbolos além dos símbolos” (p. 153), e recorre a Octávio Paz: “O poeta não é o que nomeia as coisas, mas o que dissolve seus nomes” (p. 155).
O poeta busca a “linguagem da inconsequência, alegoria / que nunca chega ao fim” (p. 153), como as imagens insólitas e libertadoras dos simbolistas e surrealistas; a loucura poética a remeter Pessoa e outros nomes fundamentais como Charles Baudelaire, William Blake, Walt Whitmann, Murilo Mendes, Mário Quintana, Garcia-Lorca e a marginais como Claudio Willer e Roberto Piva. O relacionamento com o onírico e com procedimentos consagrados pelos surrealistas, como o automatismo psíquico, encontram insólitas e surpreendentes imagens, “sombras se agitam / a uivar para as nuvens de martelos assustados” (p. 32), no qual o tempo apresenta um outro ritmo marcado pela “mão sonâmbula” (p. 111), “o ponteiro dos minutos custa a se mover”, refeito pelo sujeito lírico que afirma: “perdi a confiança nos relógios” (p. 133) e segue o seu próprio tempo, “o relógio sou eu & me transformo em procissão infinita” (p. 144).
Na escrita por vezes corrosiva do poeta, “palavras invertidas temperam a fome” (p. 136) e “ela me ensina que escrever é deixar cicatrizes” (p. 127), enquanto “um poema desce / torna-se mais pesado que um punhal” (p. 136) e “a poesia transborda no dorso do enigma” (p. 142), segredos de um tempo anterior à palavra primordial, espelho retorcido que se revela nesses outros silêncios: “os segredos quebram o espelho & retiram seus olhos líquidos / desnudam a chuva para sentir a sua pele / esse rio subterrâneo a devorar o tempo anterior a palavra” (p. 123).
Mister dizer que as motivadoras imagens consagram o apuro estético recheado de metáforas sinestésicas desses “Outros Silêncios” propostos por José Geraldo Neres que se escutam em nossos olhos. O intenso uso criativo de elementos da natureza como o ar, “as árvores cantam / levam meu corpo / suas raízes criaram asas” (p. 20), e principalmente a aguá, a navegar por outras margens, ou melhor, como versa o sujeito lírico, “espero um navio líquido” (p. 20), que “revela o segredo do abismo” dessa “água de fala adormecida / onde se encontra o eco da sua voz” (p. 23) de “um rio sem margens” (p. 20). Rio da utopia do Verbo transformador de um sujeito lírico que se afirma como “o corpo do menino / que desafia o sol / e entra no bosque escuro com as naves do verbo” (p. 50), revelador de novos sentidos “na linguagem da água” (p. 24).
“Outros Silêncios” de José Geraldo Neres apresenta-se como uma necessária oxigenação líquida para o panorama poético brasileiro.
Graduando em Letras. Integrante do conselho editorial e assina a seção de crítica literária da revista acadêmica África e Africanidades - http://www.africaeafricanidades.com. Resenhista do semanário cabo-verdiano A Nação.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Sobre o “deserto dos pássaros úmidos”
Geraldo Neres é um nome que eu conheço há algum tempo, mais precisamente em 2003, desde a época de Palavreiros; um movimento que surgiu em São Paulo e que reuniu muitos e muitos simpatizantes da literatura. Desde então, tem sido para mim um prazer acompanhar a sua trajetória no mundo da palavra; a sua aventura demasiado humana que nos revela os silêncios que quase desconhecemos, mas que habitam em cada um de nós. Neres é detentor de muitos prêmios, entre eles: o Prêmio Cultural Plínio Marcos – Mostra de Arte de Diadema, em 2004. Autor de “Pássaros de papel” e de outros livros em que a poesia confirma o seu estar no mundo.
Quero falar de Outros silêncios – um livro publicado em 2008, junto ao Ministério da Cultura e do Programa de Ação Cultural (PROAC), da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. A capa é de Floriano Martins e nos sugere, na primeira leitura, que devemos estar atentos, sempre, ao verbo que se faz silêncio e da sua ebulição em nós. Sim, o verbo se faz silêncio e dentro dele podemos intuir tudo, até o canto seco de uma multidão de pássaros úmidos; podemos intuir tudo: a vertigem, as desigualdades sociais, a explosão do silêncio que se renova no exercício de ser um eterno insatisfeito que é o ser poeta.
Em Outros silêncios, outras vozes se encontram e sugerem que é tempo ainda de não desperdiçar o jeito de ser do outro; o silêncio nos alerta da necessidade de andar de mãos dadas e nos convida a olhar o outro e seus desertos. Em Neres, o silêncio emerge e se apresenta na vida nua e crua que se vive, no tempo que navega além do rio; na memória das águas que expõe nossos fantasmas na figura do “homem oco e seus relógios”; na dor de pássaros afogados no portal do tempo, como sugere o “cortejo de punhais / sol afogado no peso e na dor dos pássaros [...] no sangue do rio” e/ou das asas que também criam raízes no aprendizado das horas.
Ler Geraldo Neres é também uma maneira de intuir o ritmo do silêncio das noites chuvosas; uma leitura que nos convida a fazer parte da metamorfose como quer o “movimento enroscado no deserto dos pássaros úmidos”. Nesse ritmo, a leitura nos convida a não temer a nudez que se desenha do silêncio, da palavra; um convite aos homens e às mulheres do mundo, a todas as pessoas que ainda arrecadam um pouco do tempo para perceber o sentido da palavra aquática como quer o dilúvio dos olhos neste sagrado encontro com a literatura.
Nordeste do Brasil, 7 de março de 2010
Graça Graúna. Universidade de Pernambuco – UPE, Campus Garanhuns
Escritora, ensaísta. Possui Graduação, Bacharelado, Especialização, Mestrado e Doutorado em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco. Professora adjunta concursada da Universidade de Pernambuco - Campus Garanhuns, onde coordena o Projeto de Literatura e Direitos Humanos, junto ao MEC-SECAD; o Projeto do Curso de Formação de Professores Indígenas no estado de Pernambuco e o Projeto Potencialidades Patrimoniais do Município de Garanhuns e seu entorno: produção literária. Líder do Núcleo de Estudos Comparados em Literaturas de Língua Portuguesa (NESC), atuando principalmente nos seguintes temas: literatura e direitos humanos, estudos culturais, poesia e prosa e literaturas de língua portuguesa.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
OUTRAS PALAVRAS POÉTICAS DES-DO-BRA-DAS
OUTRAS PALAVRAS POÉTICAS des-do-bra-das
Mestre de Cerimônia: Jacson Matos.
Convidados: Beth Brait Alvim, Claudio Willer, Edson Bueno de Camargo, Henrique Krispim, José Geraldo Neres, Jorge de Barros, Kiusam de Oliveira, Pierina Ballarini (Projeto AURORA), grupo Percutindo Mundos: (Márcio Barreto, Fernando Santos, Paulo Infante e Carla Fá), Rádi Oliveira, Ryck Bastos, Rodrigo Basan e Zellus Machado.
Olam Ein Sof (Marcelo Miranda.Fernanda, David Suria). Celso Fernande e companhia.
Fotos/Filme: Thais Riotto
Sarau Andreense
OUTRAS PALAVRAS - POÉTICAS ANDREENSE
CONVIDADOS: EDSON BUENO DE CAMARGO, HELIO NÉRI, HENRIQUE KRISPIM, JOSÉ GERALDO NERES, JUREMA BARRETO DE SOUZA, KIUSAM DE OLIVEIRA, NEUZZA PINHEIRO, PROJETO AURORA (PIERINA BALLARINI E HENRIQUE RISHI) e ZHÔ BERTHOLINI
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: LIA CORDONI
MUSÍCA: HENRIQUE KRISPIM POEMA: JOSÉ GERALDO NERES
FOTOS/FILME: Thais Riotto
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Assinar:
Postagens (Atom)
